sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O valor do arrependimento

Bereshit (Gn) 4.3-5 – “E foi no fim de dias e trouxe Caim, do fruto da terra, uma oferta ao Eterno. E Hebel (Abel) trouxe, também ele, dos primogênitos das suas ovelhas e das gorduras destas. E voltou-se o Eterno para Hebel e para sua oferta. E Caim e para sua oferta, não se voltou. E irou-se Caim, muito, e descaiu-lhe o semblante.”

Muitas vezes esta passagem faz o leitor desavisado pensar que o Eterno é um D’us saguinário, ou que tem preferência por gordura de ovelhas.
Mas podemos aprender um preceito de D’us, que vai nos levar a encarar a oferta (Korban) ou o dizímo (Maser) de uma nova maneira. E esta é só uma das coisas que esta passagem pode nos ensinar. E também vamos entender que o Verdadeiro Evangelho é mais antigo que a Brit HaDashah (Confirmação da Aliança ou Novo Testamento – para os judeus a Bíblia não esta dividida em Novo e Antigo Testamentos – O Antigo Testamento é conhecido como Tanach e o Novo como Brit HaDashah).

Vamos primeiro analisar com cuidado o texto (o trecho acima em negrito foi retirado direto da tradução do hebraico para o português – Torah a Lei de Mosés – Ed Sefer).
Caim trouxe para sua oferta o fruto da terra, ao passo que Hebel, trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, o trecho e das gorduras das mesmas, significa que Hebel separou para sua oferta os primogênitos mais gordos do seu rebanho.
Caim apenas separou para sua oferta do fruto da terra.
E eu pergunto a nós como filhos de D’us, cidadãos do Reino dos Céus. Temos ofertado ao Eterno o melhor do melhor que temos, ou apenas temos separado para D’us uma oferta daquilo que Ele nós dá?

Constantemente eu digo às pessoas do meu convívio, se não restaurarmos os alicerces da nossa confiança em D’us, se a nossa justiça não execeder aos que vivem o sistema do mundo, do que valeu o Sangue do Mashiach Yeshua em nossas vidas (Mt 5.20). Não precisamos apenas reformar, devemos restaurar. Restaurar quer dizer que vamos usar o mesmo material original, os mesmos conceitos originais, sem adaptações, sem concessões.

Se não buscar à D’us com gratidão e sinceridade, de nada valerá as nossas ofertas e os dízimos. Da mesma forma que o Eterno diz Halel (Sl) 50:8 – “Não te repreenderei pelos teus sacrifícios, ou holocaustos, que estão continuamente perante mim.
- Da tua casa não tirarei bezerro, nem bodes dos teus currais.
- Porque meu é todo animal da selva, e o gado sobre milhares de montanhas.
- Conheço todas as aves dos montes; e minhas são todas as feras do campo.
- Se eu tivesse fome, não to diria, pois meu é o mundo e toda a sua plenitude.
- Comerei eu carne de touros? ou beberei sangue de bodes?
- Oferece a D’us sacrifício de louvor, e paga ao Altíssimo os teus votos.”.

Viu que o Eterno não precisa das suas ofertas e nem de seus dízimos. Eles não são para agradar a D’us, são princípios que D’us instituiu para que nós fossemos abençoados. Para que houvesse em nosso coração mais dar e menos pedir, mais nós e menos eu.

Então aprendemos que o Eterno não é um D’us que ama sangue e gordura de animais. Ishayahu (Is) 1.11 – “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Eterno? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.”.

Vimos que D’us não se agradou a oferta de Caim, porque Caim não deu o melhor que ele tinha, apenas separou uma oferta. Hebel separou para D’us o melhor do melhor do que ele tinha. Por isso D’us se agradou dele e da sua oferta.
Por isso como diz a história o semblante de Caim descaiu. E não atentou para aquilo que o Eterno lhe disse, sobre o pecado que estava se formando em seu coração. E mata seu irmão.

Mas o mais importante que vamos aprender desse fato é que após receber de D’us a pena pelo seu pecado, Caim teve medo de ser ele também morto, porque Echezquiel(Ez) 18:20 – “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele.”
Então o Eterno lhe pos uma marca, para que não fosse morto.
Que marca foi essa, a de assassino?
Não, na verdade ele recebeu a marca do perdão, porque se arrependeu do pecado que cometera, e recebeu de D’us o seu perdão. E uma marca testificava que ele foi perdoado por D’us.
Alguns rabinos ensinam que quando Adam viu os benefícios do arrependimento de seu filho, também se arrependeu de ter pecado no Gan Éden (Jardim do Éden).

È por isso que se Caim for morto, ele será vingado sete vezes, ou por sete gerações, porque alcançou de D’us perdão pelo seu pecado.

O arrependimento é tão importante nas nossas vidas, que pode ser a diferença entre a libertação ou a escravidão. Os israelitas sacrificaram o cordeiro de Pessach (Passagem) em Miztraim(Egito), e pintaram os umbrais das portas de suas casas, para que não fossem atingidos pelo Anjo da Morte. Mas conforme sinais deixados no texto de Shemot (Ex), apenas um quito, ou vinte por cento do povo saiu do Egito. Só deixaram a escravidão, aqueles que se arrependeram da sua vida de escravidão e decidiram seguir ao D’us de Ysrael.

Yochanan HaMatbil (João o Imersor) começou sua missão dizendo, Mt 3.2 – “E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.”.
O próprio Yeshua também dizia, Mt 4:17 – “Desde então começou Yeshua a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.”.

É maravilhosa a palavra de D’us, que não oculta as falhas de caráter dos homens, nem nossa natureza que pende para o mal. Ele nos mostra, no ensina e nos conduz para o caminho correto. Que possamos dia e noite nos debruçar sobre esta palavra e aprender o bom caminho do Eterno D’us de Ysrael.
Hallel Sl 119:103 - 105 – “Oh! quão doces são as tuas palavras ao meu paladar, mais doces do que o mel à minha boca.
Pelos teus mandamentos alcancei entendimento; por isso odeio todo falso caminho.
Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.”.

Que Ruach Elohim (Espírito de D’us) possa ilumina os seus e os meus caminhos sempre.
Um sincero Shalom, no Amor do Mashiach Yeshua,


César.

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